PENSAMENTO E VIDA PRÁTICA NO RENASCIMENTO*

 Charles Ferreira dos Santos**

Resumo: O filosofar e o pensar renascentistas, na medida em que se alinharam aos aspectos humanos e práticos da vida, contribuíram para o avanço tecnológico e para invenções, os quais seriam fundamentais às revoluções científica e industrial que viriam a seguir.
Palavras-chave: Pensamento. Renascimento. Vida prática
1 INTRODUÇÃO

A ascensão da burguesia, em razão da acumulação de lucros, e a nova visão do trabalho – agora como elemento a dignificar o homem -, atrelados ao filosofar e pensar renascentistas com viés para a vida prática são fatores a sedimentar uma nova ordem social e econômica a partir do Renascimento.

2 A ASCENSÃO DA BURGUESIA

O fortalecimento e ascensão da burguesia, como classe social, em razão da acumulação de lucros, desde o final do período medievo, põem em marcha mudanças importantes ao longo do Renascimento, séculos XIV a XVI. (SOUZA, 2017).

A reinterpretação da ordem social até então vigente agora passa a atender o interesse dessa classe social. O trabalho torna-se atividade lucrativa e os bens materiais passam a ser valorizados, claramente em confronto com a ideia até então dominante. Nessa linha, famílias comerciantes da época investem no mecenato, ou seja, patrocínio nas expressões culturais do Renascimento. O individualismo e a busca por prazeres (hedonismo) avançam na nova pauta de valores. O saber secular se contrapõe à visão religiosa. Dessa forma, a produção de conhecimento toma um viés prático, no sentido de atender às necessidades do capitalismo comercial. (JUNGBLUT; TARGA; PEREIRA, 2016).
3 EMPIRISMO E RACIONALISMO
Em sua obra, A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber defende que, com o advento do protestantismo, o trabalho passou a ser o meio para a salvação do homem. E o trabalho assim gera lucro e acumulação. Há, nesse sentido, estreita ligação do conhecimento prático e a produção da nova mentalidade econômica e social.

A Revolução Científica que emerge a partir do Renascimento apresenta como fundamento a investigação da natureza com base na experiência empírica e em eventos experimentais sistemáticos, ou seja, a primazia do racionalismo e cientificismo. Esse modo de observação se espraia em todos os campos do saber humano - na matemática, nas artes, na medicina, na literatura, na filosofia.

Nicolau Copérnico anuncia a tese segundo a qual o Sol se encontra no centro do Universo, em 1543, e põe em cheque dogma vigente à época, ao tempo em que eleva o saber racional. Na linha de pensamento prático e racional, Galileu evidencia a força da matemática e do pensamento científico ao demonstrar a tese heliocêntrica de Copérnico.

De acordo com Aranha e Martins (2003),

"[...] Os racionalistas confiam na capacidade de atingir verdades universais [...], enquanto os empiristas terminam por questionar o caráter absoluto da verdade, já que o conhecimento parte de uma realidade in fieri (isto é, em transformação constante), em que tudo é relativo ao espaço, ao tempo, ao humano".
Por sua vez, Chaui (2012) entende que “vem do Renascimento e do início da filosofia moderna, com Francis Bacon, Galileu e Descartes, a ideia de que, além de conhecimento demonstrativo, a ciência é um conjunto eficaz de permitir ao homem não só conhecer o mundo, mas também dominá-lo e transformá-lo”.

Dada essa nova visão de mundo, isto é, o saber prático, empírico e racional, o Renascimento foi palco de inúmeras invenções em múltiplos campos do conhecimento humano. A invenção da imprensa, por Gutemberg, em 1454; atlas da anatomia, criada por Vesalius, em 1543; estudos de probabilidade, por Pascal, em 1654; embarcação em caravela, pelos portugueses, em 1450; a luneta, por Galilei, em 1609; estudos sobre mineralogia, por Agricola, em 1556; o globo terrestre em escala tridimensional, por Behaim, em 1492; lei da gravitação universal, por Newton, em 1687; estudos de anatomia, por Da Vinci; perspectiva gráfica, por Alberti; circulação pulmonar, por Servetus, em 1553; o microscópio, por Leeuwenhoek, em 1683: o moinho de vento, por Ramelli, em 1589; a geometria analítica, por Descartes, em 1637; a célula, por Hook, em 1665; a tela como superfície para pintura; o funcionamento do coração, por Harvey, em 1628. (SUPERINTESSANTE, 2017).

De sorte que o pensamento do homem renascentista, seja empírico, racional ou científico, voltou-se para aspectos práticos da vida, o que redundou em vários avanços tecnológicos, os quais foram fundamentais para as revoluções científica e industrial que estavam por vir.
 5 CONCLUSÃO
Em síntese, o filosofar e o pensar renascentistas, na medida em que se voltaram para aspectos humanos e práticos, permitiram o desenvolvimento de técnicas e invenções que seriam fundamentais para a revolução científica e industrial dos séculos seguintes.
PENSAMIENTO Y LA VIDA PRÁCTICA EM RENASCIMIENTO
Resumen: La filosofía y el pensamiento renacentista, en la medida en que alinea los aspectos prácticos de la 
vida humana, contribuyó a los avances tecnológicos y las invenciones, lo que sería fundamental para las 
revoluciones científicas e industriales que seguirían

Palabras clave: Pensamiento. Renacimiento. Vida práctica.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.

CHAUI, Marilena. Iniciação à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2012.

JUNGBLUT, Cesar Augusto; TARGA, Dante Carvalho; PEREIRA, Lucésia. Pensamento filosófico renascentista. Palhoça: UnisulVirtual, 2016.

SOUSA, Rainer Gonçalves. Renascimento.  Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm>. Acesso em:  26 mar. 2017.

SUPERINTERESSANTE. Relembre 20 invenções e avanços tecnológicos da renascença. Disponível em: <http://super.abril.com.br/galeria/relembre-20-invencoes-e-avancos-tecnologicos-da-renascenca/>. Acesso em: 26 mar. 2017.




* Artigo elaborado para o curso de graduação em Filosofia da Universidade do Sul de Santa Catarina, dentro da Unidade de Aprendizagem Pensamento Filosófico Renascentista, 2017/1. Prof. Dante Carvalho Targa, 2017.
**Acadêmico do curso Filosofia da Universidade do Sul de Santa Catarina. charlesfs@hotmail.com

Comentários

Postagens mais visitadas