PENSAMENTO E VIDA PRÁTICA NO RENASCIMENTO*
Resumo: O
filosofar e o pensar renascentistas, na medida em que se alinharam aos aspectos
humanos e práticos da vida, contribuíram para o avanço tecnológico e para
invenções, os quais seriam fundamentais às revoluções científica e industrial
que viriam a seguir.
Palavras-chave:
Pensamento. Renascimento. Vida prática
1 INTRODUÇÃO
A ascensão da burguesia, em razão da acumulação de lucros, e a nova visão do trabalho – agora como elemento a dignificar o homem -, atrelados ao filosofar e pensar renascentistas com viés para a vida prática são fatores a sedimentar uma nova ordem social e econômica a partir do Renascimento.
A ascensão da burguesia, em razão da acumulação de lucros, e a nova visão do trabalho – agora como elemento a dignificar o homem -, atrelados ao filosofar e pensar renascentistas com viés para a vida prática são fatores a sedimentar uma nova ordem social e econômica a partir do Renascimento.
2 A ASCENSÃO DA BURGUESIA
O
fortalecimento e ascensão da burguesia, como classe social, em razão da
acumulação de lucros, desde o final do período medievo, põem em marcha mudanças
importantes ao longo do Renascimento, séculos XIV a XVI. (SOUZA, 2017).
A reinterpretação da ordem social até
então vigente agora passa a atender o interesse dessa classe social. O trabalho
torna-se atividade lucrativa e os bens materiais passam a ser valorizados,
claramente em confronto com a ideia até então dominante. Nessa linha, famílias
comerciantes da época investem no mecenato, ou seja, patrocínio nas expressões
culturais do Renascimento. O individualismo e a busca por prazeres (hedonismo)
avançam na nova pauta de valores. O saber secular se contrapõe à visão
religiosa. Dessa forma, a produção de conhecimento toma um viés prático, no
sentido de atender às necessidades do capitalismo comercial. (JUNGBLUT; TARGA;
PEREIRA, 2016).
3 EMPIRISMO E RACIONALISMO
Em sua obra, A ética protestante e o
espírito do capitalismo, Max Weber defende que, com o advento do
protestantismo, o trabalho passou a ser o meio para a salvação do homem. E o
trabalho assim gera lucro e acumulação. Há, nesse sentido, estreita ligação do
conhecimento prático e a produção da nova mentalidade econômica e social.
A Revolução Científica que emerge a
partir do Renascimento apresenta como fundamento a investigação da natureza com
base na experiência empírica e em eventos experimentais sistemáticos, ou seja,
a primazia do racionalismo e cientificismo. Esse modo de observação se espraia
em todos os campos do saber humano - na matemática, nas artes, na medicina, na
literatura, na filosofia.
Nicolau Copérnico anuncia a tese
segundo a qual o Sol se encontra no centro do Universo, em 1543, e põe em
cheque dogma vigente à época, ao tempo em que eleva o saber racional. Na linha
de pensamento prático e racional, Galileu evidencia a força da matemática e do
pensamento científico ao demonstrar a tese heliocêntrica de Copérnico.
De acordo com Aranha e Martins
(2003),
"[...] Os racionalistas confiam na capacidade de atingir verdades universais [...], enquanto os empiristas terminam por questionar o caráter absoluto da verdade, já que o conhecimento parte de uma realidade in fieri (isto é, em transformação constante), em que tudo é relativo ao espaço, ao tempo, ao humano".
Por sua vez, Chaui
(2012) entende que “vem do Renascimento e do início da filosofia moderna, com
Francis Bacon, Galileu e Descartes, a ideia de que, além de conhecimento
demonstrativo, a ciência é um conjunto eficaz de permitir ao homem não só
conhecer o mundo, mas também dominá-lo e transformá-lo”.
Dada essa nova visão de mundo, isto
é, o saber prático, empírico e racional, o Renascimento foi palco de inúmeras
invenções em múltiplos campos do conhecimento humano. A invenção da imprensa,
por Gutemberg, em 1454; atlas da anatomia, criada por Vesalius, em 1543;
estudos de probabilidade, por Pascal, em 1654; embarcação em caravela, pelos
portugueses, em 1450; a luneta, por Galilei, em 1609; estudos sobre
mineralogia, por Agricola, em 1556; o globo terrestre em escala tridimensional,
por Behaim, em 1492; lei da gravitação universal, por Newton, em 1687; estudos
de anatomia, por Da Vinci; perspectiva gráfica, por Alberti; circulação
pulmonar, por Servetus, em 1553; o microscópio, por Leeuwenhoek, em 1683: o
moinho de vento, por Ramelli, em 1589; a geometria analítica, por Descartes, em
1637; a célula, por Hook, em 1665; a tela como superfície para pintura; o
funcionamento do coração, por Harvey, em 1628. (SUPERINTESSANTE, 2017).
De sorte que o pensamento do homem
renascentista, seja empírico, racional ou científico, voltou-se para aspectos
práticos da vida, o que redundou em vários avanços tecnológicos, os quais foram
fundamentais para as revoluções científica e industrial que estavam por vir.
5 CONCLUSÃO
Em síntese, o filosofar e o pensar
renascentistas, na medida em que se voltaram para aspectos humanos e práticos, permitiram
o desenvolvimento de técnicas e invenções que seriam fundamentais para a
revolução científica e industrial dos séculos seguintes.
PENSAMIENTO Y LA VIDA PRÁCTICA EM RENASCIMIENTO
Resumen: La filosofía y el pensamiento renacentista, en la medida en que alinea los aspectos prácticos de la
vida humana, contribuyó a los avances tecnológicos y las invenciones, lo que sería fundamental para las
revoluciones científicas e industriales que seguirían
Palabras clave:
Pensamiento. Renacimiento. Vida práctica.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires.
Filosofando: introdução à filosofia.
São Paulo: Moderna, 2003.
CHAUI, Marilena.
Iniciação à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2012.
JUNGBLUT, Cesar Augusto; TARGA, Dante Carvalho; PEREIRA,
Lucésia. Pensamento filosófico
renascentista. Palhoça: UnisulVirtual, 2016.
SOUSA, Rainer Gonçalves. Renascimento. Brasil
Escola. Disponível em:
<http://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm>. Acesso em: 26 mar. 2017.
SUPERINTERESSANTE. Relembre 20 invenções e avanços tecnológicos da renascença.
Disponível em: <http://super.abril.com.br/galeria/relembre-20-invencoes-e-avancos-tecnologicos-da-renascenca/>.
Acesso em: 26 mar. 2017.
* Artigo elaborado para o curso de graduação em Filosofia da
Universidade do Sul de Santa Catarina, dentro da Unidade de Aprendizagem
Pensamento Filosófico Renascentista, 2017/1. Prof. Dante Carvalho Targa, 2017.
**Acadêmico
do curso Filosofia da Universidade do Sul de Santa Catarina.
charlesfs@hotmail.com
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