O RECADO DE MONTESQUIEU SOBRE A CORRUPÇÃO*
Charles Ferreira dos Santos**
Resumo: A
corrupção não se limita ao aspecto financeiro. A ausência de virtude política e
a sobreposição de interesses particulares são também atos de corrupção, de tal
modo que uma vida virtuosa deve começar na sociedade para então chegar ao
governo.
Palavras-chave:
Montesquieu. Corrupção.
1 INTRODUÇÃO
O presente artigo discorre sobre o diagnóstico da realidade brasileira e as possíveis recomendações de Montesquieu para a efetividade de uma república democrática.
2 MONTESQUIEU E A CORRUPÇÃO
Partindo da situação do homem em estado de natureza – onde não
existe segurança e nem leis -, Montesquieu arquiteta sua teoria de
governabilidade com base na separação de Poderes. De tal sorte que essa
diluição do poder a cargo do Executivo, Legislativo e Judiciário, de modo a se
autorregularem, impede o deslize para o uso despótico do poder, e a sociedade
então viverá sob o império da lei, agora com segurança e liberdade, cabendo ao Estado
fazê-la cumprir.
A variável crucial nesse arranjo institucional - pensado por
Montesquieu - reside no exercício do poder de forma virtuosa. Exercício do
poder aqui compreendido os governantes e os governados, dado que as leis
decorrem da dinâmica de viver dos cidadãos, ou seja, o ordenamento jurídico
reflete a vontade do povo. Sendo assim, é imperioso, para que o sistema
funcione, a primazia do interesse público sobre o privado e um viver do cidadão
calcado na virtude.
Ora, observando o contexto do Brasil nestes tempos, Montesquieu
teria algumas observações a fazer. Dado que a corrupção se encontra disseminada em todas as
esferas da vida pública e privada. Dado que esse germe perpassa a trajetória da
sociedade desde os primórdios da República, se não antes. Dado que a virtude
não é observada pela sociedade, uma vez que os governantes emergem dessa
própria sociedade e carregam para o governo seus próprios vícios, certamente
Montesquieu, submetendo tal realidade às premissas de sua teoria, teceria
algumas recomendações.
3 RECOMENDAÇÕES DE MONTESQUIEU
A sociedade não
pode exigir do governante aquilo que ela mesma negligencia: a virtude. É
premente dominar as paixões, refrear o interesse particular em favor do interesse
público. Não existe sociedade desvirtuosa com governantes virtuosos ou
vice-versa, uma vez que os governantes emergem do povo.
O princípio da separação equânime de
poderes é impedir a supremacia de um deles. Visto que o poder concentrado pode
descambar em abuso, e o abuso de poder desvirtua a República, é igualmente
premente proceder ao rearranjo institucional, de modo a equilibrar as forças
entre os Poderes. Nem o Judiciário deve avançar na esfera do Executivo ou
Legislativo, nem estes na esfera do Judiciário, salvo as funções atípicas
devidamente previstas.
Fundamental, na mesma ordem das
anteriores, é o respeito à lei e o amor pelo interesse social. Tais atributos
representam o cerne de uma república democrática.
A corrupção não deve ser entendida
apenas como suborno financeiro, a corrupção vai além desse fator. A ausência de
virtude política, ou seja, a falta de amor pelo interesse social, a supremacia
do interesse particular, a escolha de candidatos visando interesse particular –
que na verdade representa o exercício do poder de escolha -, como votar em um
candidato apenas pelo fato de ele prometer uma estrada ou algo para sua cidade,
sem relevância no contexto geral, são exemplos de corrupção. Situações essas
não contempladas ao se mencionar o combate à corrupção.
.4 CONCLUSÃO
Conclui-se que a leitura – e
recomendação - de Montesquieu em relação à corrupção no Brasil vai muito além
daquilo que se costuma entender nos dias atuais. A corrupção alcança fatores –
além do aspecto financeiro – como a falta de virtude política, sobrepondo o
interesse particular sobre social, quando deveria ser o contrário; o
desrespeito à lei, de modo a corromper o pacto social; a escolha de candidatos
em razão de interesse particular, e não com base no interesse geral.
Assim, a mudança deve começar na
sociedade, e então a virtude chegará ao governo.
EL MENSAGE SOBRE LA CORRUPCIÓN DE MONTESQUIEU
Resumen: La corrupción no se limita al aspecto financiero. La ausencia de virtud política y la superposición de los intereses particulares son también actos de corrupción, por lo que una vida virtuosa debe comenzar en la sociedad y luego llegar al gobierno.
Palabras clave: Montesquieu. Corrupción.
REFERÊNCIAS
SCHULZE, Carmelita.Pensamento
filosófico moderno. Palhoça: UnisulVirtual, 2016..
* Artigo elaborado para o curso de graduação em Filosofia da
Universidade do Sul de Santa Catarina, dentro da Unidade de Aprendizagem
Pensamento Filosófico Moderno, 2017/1. Prof. Dante Carvalho Targa, 2017.
** Acadêmico
do curso Filosofia da Universidade do Sul de Santa Catarina.
charlesfs@hotmail.com
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