ANTROPOCENTRISMO RENASCENTISTA*
Charles Ferreira dos Santos**
Resumo: Em
oposição ao teocentrismo dominante por toda a era medieval, o antropocentrismo
renascentista é um movimento que valoriza o homem e sua capacidade criadora.
Palavras-chave:
Antropocentrismo. Teocentrismo. Renascentista.
1 INTRODUÇÃO
O antropocentrismo renascentista rompe com o teocentrismo dominante por toda a era medieval. A valorização do homem como senhor de seu destino, com sua capacidade criadora, transparece na arte, na cultura, na ciência e na política, a tal ponto que o homem se torna o centro do Universo, em razão de seus atributos.
2 PRECEDENTES HISTÓRICOS AO ANTROPOCENTRISMO NO
RENASCIMENTO
Ao longo de toda a Idade Média, séculos V a XV, período em que - salvo raras, mas importantes exceções - somente os monges eram letrados, predomina a orientação religiosa no campo moral, político e jurídico da sociedade medieval. A fé se sobrepõe à razão, a teologia à filosofia, e Deus se sobrepõe ao homem. De modo que tudo que vem de Deus é perfeito, e ao homem cabe a pecha de pecador, de acordo com Aranha e Martins (2003).
3 ANTROPOCENTRISMO RENASCENTISTA
Por volta do século XIV, os ventos
favoráveis ao homem começam a soprar. O resgate da cultura greco-latina
clássica, a efervescência cultural e a criatividade humana se espalham a partir
de Florença para toda a Europa, até o século XVII, período que seria considerado
a ponte entre a era medieval e a moderna, de acordo com Buckingham at al.
(2011).
Nesse período, o homem surge como
centro do Universo – antropocentrismo -, numa clara oposição ao período
anterior. Oposição, diga-se, sem confronto, uma vez que a harmonização
caracteriza o pensamento renascentista. Alguns fatos são representativos nessa
nem tão suave mas inexorável guinada ocorrida naquele tempo.
O homem se torna artífice de sua
trajetória e avança pelo caminho: (1) do conhecimento - nas áreas de
astrologia, magia e alquimia; (2) da política - em busca do ideal republicano;
(3) das técnicas e da ciência - no campo da medicina, arquitetura, engenharia e
navegação; (4) das artes - pintura, escultura poesia e teatro. (CHAUI, 2012).
Em comum, o viés humanista no
sentido de valorização do homem, a ponto de posicioná-lo no centro do Universo.
Além do que, a ampliação do horizonte, em razão do conhecimento e das viagens
marítimas, fundamentou críticas à própria sociedade e à Igreja Romana. E disso
decorre maior liberdade de crença e pensamento, culminando na Reforma
Protestante.
A produção do saber se desloca do
eixo das instituições religiosas – cuja interpretação dos clássicos se alinhava
ao interesse da fé cristã – e avança em direção à criação de novos códigos de
valores, agora centrada no indivíduo e na sua capacidade criadora. Por isso
também reconhecido como período humanista. (JUNGBUT, TARGA E PEREIRA, 2016).
5 CONCLUSÃO
Em suma, o antropocentrismo
renascentista percebe o homem como criador de conhecimento, artífice de seu
destino, e por isso sua valorização. Com seu horizonte ampliado, o homem
critica sua própria sociedade e a fé cristã, valoriza a laicidade e acaba
provocando a Reforma Protestante e abrindo caminho para o movimento em favor do
racionalismo e o modernismo.
ANTROPOCENTRISMO RENACENTISTA
Resumen: En contraste
con el teocentrismo dominante a lo largo de la época medieval, el antropocentrismo
renacentista es un movimiento que valora el hombre y su capacidad creativa.
Palabras clave:
Antropocentrismo. Teocentrismo. Renacentista.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires.
Filosofando: introdução à filosofia.
São Paulo: Moderna, 2003.
BUCKINGHAM, Will at al. O livro da filosofia. São Paulo: Editora Globo, 2011.
CHAUI, Marilena.
Iniciação à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2012.
JUNGBLUT, Cesar Augusto; TARGA, Dante Carvalho; PEREIRA,
Lucésia. Pensamento filosófico renascentista.
Palhoça: UnisulVirtual, 2016.
* Artigo elaborado para o curso de graduação em Filosofia da
Universidade do Sul de Santa Catarina, dentro da Unidade de Aprendizagem
Pensamento Filosófico Renascentista, 2017/1. Prof. Dante Carvalho Targa, 2017.
**Acadêmico
do curso Filosofia da Universidade do Sul de Santa Catarina.
charlesfs@hotmail.com
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